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Aprender uma coisa nova por dia

Nem sabe o bem que lhe fazia

factos e mitos sobre suicídio

sendo algo que assusta pela eternidade em que se concretiza, traz em si uma quantidade inesgotável de estigma.

há uns meses, por exemplo, um escritor viu serem queimados, em auto de fé, uma quantidade de livros em que escrevia sobre o assunto ("alentejo prometido" de henrique raposo).

a maioria da população associa o medo ao preconceito, a ideia de cobardia a "pode acontecer a todos", a vergonha "porque aconteceu na família" à fanfarronice do "fracote".

toda a gente tem algo a dizer.

toda a gente se sente preparada para dissecar, para saber, para dar opinião.

a maioria confunde mitos com factos, a realidade com o que acha. 

 

a dez de setembro assinala-se o dia da prevenção contra o suicídio. nunca é demais lembrar alguns factos e mitos aliados ao assunto:

 

1. falar sobre o suicídio encoraja a fazê-lo?

é mito.

é a maneira e o que se diz na conversa que podem determinar, ou não, a alteração da ideia suicida. 

a OMS produz, há anos, documentos que esclarecem a forma como a temática deve ser abordada na comunicação social. acontece que estes documentos são, por norma, ignorados em função do mediatismo, da audiência e do sensacionalismo que pautam a missão de "informar" actualmente. 

já facto: falar sobre o suicídio é, na maior parte das vezes, a melhor forma de aliviar alguma tensão, pois permite que a pessoa partilhe o que sente com alguém que a aceita e não julga permitindo-lhe até compreender melhor a sua situação. 
 

2. aquele que fala em suicidar-se, nunca o tentará.

mito. alia-se esta ideia ao estigma de "só quer chamar a atenção", ao "se o quisesse fazer já tinha feito", "só quer que lhe dêem palmadinhas nas costas" ao sentimento de tranquilidade que a ideia provoca em familiares e amigos de quem ameaça.

já facto: em cada dez pessoas que que tentam o suídio, pelo menos oito delas deram sinais prévios dessa vontade. raras são as vezes em que a decisão de um suicido é tomada repentinamente e executada de imediato. os sinais podem ser muito explícitos e claros, mas também poderão ser bastante subtis. é importante estar atento, manter uma postura aberta e compreensiva e aconselhar sempre (insistir mesmo) na procura de ajuda especializada.

 

3. se se matou é porque queria mesmo morrer.

mito. grande parte das pessoas que o tentam está doente e vê na morte uma alternativa às dores que o consomem.

facto é que a uma tentativa de suicídio corresponde, na maioria das situações, uma profunda divisão interior entre viver e morrer. a maioria preferia continuar a viver mas não com o sofrimento, ideia de incapacidade, inutilidade, desespero e angustia que os domina. 

 

4. todos os suicidas estão mentalmente doentes e o suicídio é sempre o acto de uma pessoa psicótica.

mito. apesar de razões de  de ordem mental ou psicótica predominarem, os factores psico-sociais e familiares são também relevantes.

facto é que a (in)existência de apoio social ou a falta dele, separações e perdas pessoais, perdas de emprego, luto, falta de visão e perspectiva de um futuro, privação de liberdade, falta de objectivos e falta de religiosidade, podem criar vazios e perturbações existenciais que, não raras vezes, terminam no suicídio.

 

em suma, os factos que realmente interessam:

* o suicídio é uma solução permanente para um problema temporário.

* quando se está deprimido, tem-se uma visão das coisas muito reduzida pela perspectiva do momento presente. uma semana ou um mês depois, tudo pode parecer completamente diferente.

* a maioria das pessoas que pensaram em suicídio estão felizes por estarem vivas porque o que queriam era acabar com a dor, não com a vida.

* aqui encontram sempre uma voz amiga, útil e capaz de ajudar a afastar a dor para manter a vida.

 

[já anteriormente foi falado sobre o tema aqui.

a M.J. tenta falar sobre coisas sérias - apesar de cair na parvoeira - neste blog e partilha a parvoíce no facebook e no instagram]

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