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Aprender uma coisa nova por dia

Nem sabe o bem que lhe fazia

Vacinação: Não duvidem da sua importância!

Não só na blogoesfera, mas especialmente na minha prática clínica, vou verificando que existe uma crescente de opiniões "anti-vacinação".

 

Dou comigo muitas vezes a pensar, até que ponto é que as pessoas têm efetivamente noção do que estão a fazer a elas mesmas, mas acima de tudo, a toda a população no geral quando optam por não se vacinarem, e não vacinarem os seus filhos. 

 

 

Antes de mais tenham em conta que sou totalmente a favor da Vacinação. E classifiquem-me como suspeita dada a minha profissão, mas sou a favor da Vacinação porque muito mais do que determinados tratamentos, a Vacinação É SIM essencial à erradicação de determinadas doenças, e TEM SIM erradicado algumas ao longo dos últimos anos, desde a sua implementação, como o caso da poliomielite no Brasil. Para além disso, tem também diminuído a incidência de algumas doenças como é o caso do Tétano, por exemplo.

Doenças estas que embora tenham morto muitas pessoas, acima de tudo, deixaram muitas outras com uma péssima qualidade de vida!

E já agora, por Vacinação, vou reduzir este post e todas as palavras que aqui coloco, no mínimo, às Vacinas obrigatórias e portanto, aquelas que se encontram no Plano Nacional de Vacinação.

 

Mas antes de fazer um resumo sobre a ambivalente demarcação que hoje em dia vivemos no que toca à vacinação, deixem-me primeiro esclarecer alguns conceitos que lhe estão inerentes.

Vacinar implica a introdução de um antigénio num organismo, de forma a suscitar da parte deste, uma resposta imunológica idêntica à que se seguiria se a pessoa contactasse com o agente que causa a doença. Esta imunidade tem como objetivo produzir, em quem é vacinado, um grau de resistência idêntico ao que resultaria se este tivesse sofrido a doença, mas com a ausência dos inconvenientes desta, ou pelo menos, minimizando-os o quanto possível.

E tal como referi no inicio, para além da proteção individual que confere, a vacinação pretende o controlo, ou mesmo a erradicação, de determinado microrganismo que estimula determinada doença. Contudo, para tal ocorrer, tem de haver um certo número de pessoas vacinadas.

Ou seja, se poucas pessoas se vacinarem contra determinado microrganismo, embora estejam mais imunes a esse mesmo microrganismo, a sua imunidade poderá não ser tão forte, como seria se várias pessoas se vacinassem contra esse microrganismo. Daí, que a Vacinação seja fundamental para todos, de forma a que se produza (ou no mínimo, se tente produzir) o efeito de Imunidade grupal.

 

Agora, por norma, quem é a favor da Vacinação defende exatamente tudo aquilo que acabei de descrever (e muito mais, mas que se torna complicado de colocar aqui, num só post).

Quem é contra a Vacinação, por norma alega que:

  • As Vacinas podem provocar autismo (algo que não tem como base nenhuma evidência cientifica e que como devem calcular será extremamente difícil de comprovar, dada a especificidade da patologia em causa. Para além disso o único estudo que deu origem a uma conclusão que roçava esta afirmação, não era válido pois os resultados foram influenciados, por quem o coordenou, e atualmente o respetivo médico, perdeu a sua Licença e já não pratica Medicina. Podem consultar mais informação aqui);
  • Cada um sabe de si, e que os Pais é que sabem se irão querer Vacinar ou não os seus filhos (É verdade que faz parte da opção de cada Pai/Mãe saber como há-de educar os seus filhos, mas no que toca à Vacinação estamos a entrar numa área da Saúde Pública, onde uma atitude, por mais individualista que seja, influencia sempre os demais. Neste caso, todos estamos implicados, como já expliquei anteriormente, portanto Vacinar não é uma questão de opção de Educação, mas sim de necessidade para a promoção da saúde e prevenção de doenças no que toca a uma comunidade);
  • A Imunidade Natural vem com o corpo do bebé e que temos de a deixar atuar sem a influência da Vacinação (Isto até poderia ter sido verdade na era da minha avó que já faleceu perto dos 100 anos de idade, mas não na nossa! Não se esqueçam que hoje em dia, mesmo a vida de campo, já não é tão saudável em toda a sua ambiência, como era antigamente. Muitos fatores de risco para o desenvolvimento de determinadas doenças são hoje muito bem conhecidos, e a Vacinação vem ajudar-nos a lidar da melhor forma com elas, diminuindo a nossa probabilidade de as apanhar, ou erradicando-as, se possível)

 

Por último, e para não vos maçar mais, mas para vos mostrar (só mais um pouco...) como a Vacinação é importante, deixo-vos com um vídeo de uma bebé que por não ter sido Vacinada (Por opção dos Pais) acabou por contrair Tosse Convulsa e... poderão ver o resultado nos primeiros segundos do seguinte video, que aproveito para referir, que pode chocar os mais sensíveis. 

 

 

 

É verdade. O Vídeo é chocante!

Mas sinceramente, a decisão de não vacinar também o é, e vagueia por aí, cada vez com maior velocidade. E com esta decisão... alguém se choca?

Vacina do HPV

Hoje vou falar de uma vacina muito importante que eu na sexta-feira fui levar.
A vacina do HPV. Antes a vacina dava-se aos 13 anos 3 doses e agora a passou a 2 doses a partir dos 10 anos.
A vacina não protege contra todos os tipos de HPV que podem provocar cancro, mas previne o cancro do colo do útero associado aos dois tipos de HPV mais frequentes.
Trata-se de uma vacina exclusivamente preventiva e por isso deve ser administrada, de preferência, antes do início da vida sexual ativa.
A maior incerteza no que respeita à vacina diz respeito à duração da imunidade, uma vez que, tratando-se de um fármaco novo, não é possível comprovar a sua persistência para além de cinco anos.

Também pode ver  este post aqui.

Sarampo vs Varicela

Como profissional de saúde custa-me que, algumas pessoas, não consigam, ainda, distinguir a varicela do sarampo. E hoje, tendo em conta que nos últimos tempos tem sido notícia de crianças que morrem com sarampo porque os pais optam por não vacinar, decidi falar a cerca deste assunto, fazendo a diferenciação com a varicela. 

 

Sarampo vs Varicela

 

220px-Measles_virus.JPG

Sarampo é uma doença infeto-contagiosa que afeta, principalmente, as crianças. O responsável por esta doença é um vírus denominado por Paramixovírus do Género Morbilivirus. O sarampo transmite-se atarvés de secreções respiratórias, por meio de secreções do nariz e da boca (tosse, espirros, saliva, falar). Em Portugal, assim como em, praticamente, todos os países, o sarampo é uma doença que se encontra irradicada, tendo uma taxa de vacinação de cerca de 95% .

 

Período de incubação do vírus - 8 a 13 dias.

 

Varicella Zoster.jpg

Varicela é, igualmente, uma doença infeto-contagiosa, provocada pelo vírus varicela-zoster, sendo também o agente

etiológico do herpes-zoster, mais conhecido como Zona. É, precisamente, este agente eyiológico, que vai premanecer no nosso organismo e que, mais tarde, pode reaparecer como Zona.  A varicela é uma doença que, normalmente, não acarreta gravidade, e que afeta centenas de crianças, por ano, em Portugal. A sua transmissão pode ocorrer de duas maneiras: através do contacto direto com as lesões cutâneas ("bolhas") ou através de secreções respiratórias (tosse, espirro, saliva).

 

Período de incubação do vírus - 10 a 21 dias.

 

Tanto o Sarampo como a varicela, são doenças sazonais que, ocorrem principalmente, no final do Inverno e durante a Primavera. 

 

Sinais e sintomas

 

Sarampo 

 

Sarampo.jpeg

  • Sinal de Koplik - na fase inicial, aparecem umas manchas brancas circundadas por uma vermelhidão, na língua e parte interna das bochechas, que desaparecem em 24 a 48h;
  • Pequenas erupções na pele (exantemas) de cor avermelhada que, iniciam na face e demora 1 a 2 dias a percorrer todo o corpo - são manchas, praticamente, todas planas;
  • Febre alta;
  • Dor de cabeça;
  • Mal estar geral;
  • Inflamação das vias respiratórias (garganta, nariz);
  • Tosse;
  • Conjuntivite;
  • Fotofobia (dificuldade em olhar para a luz);

 

Varicela

Varicela.jpg

 

  • Febre moderada;
  • Dor de cabeça;
  • Mal estar geral;
  • Dor de garganta;
  • Dor de barriga;
  • Perda de apetite;
  • Inicialmente, aparecem manchas avermelhadas, planas, que posteriormente evoluem para bolhas redondas, circundadas por cor vermelha, e cheias de líquido (vesícula flácida). Por fim, transformam-se rapidamente em crostas;
  • Estas lesões podem surgir, ao mesmo tempo, em diferentes zonas do corpo, incluindo couro cabeludo, boca e garganta; 
  • Comichão intensa;

 

Tratamento e Cuidados a ter

 

Sarampo

 

O tratamento é sintomático, ou seja, tem como objetivo o alívio dos sintomas. Assim, o doente deve permancer em repouso, beber bastantes líquidos, comer alimentos leves e limpar os olhos com água morna. Normalmente, é utilizado o paracetamol (Benuron) como antipirético para a febre e, em casos mais graves, pode ser necessário outro tipo de medicamentos. 

 

Varicela

 

O tratamento da varicela é igualmente sintomático, sendo utilizados antipirético para a febre e anti-histamínicos para a camichão intensa. Ainda em relação aos medicamentos, em crianças com varicela, não devem ser administrados anti-inflamatórios não esteróides (ibuprofeno, ...) nem ácido acetilsalicílico (aspirina) ou derivados pois podem provocar graves complicações. 

 

Ter em atenção:

  • a hidratação da criança/doente;
  • cuidados de higiene como lavagem das mãos;
  • unhas cortadas;
  • manter as borbulhas limpas e secas;
  • banho de água morna alivía a comichão;
  • após o banho, ao limpar o corpo, não deve esfregar;
  • aplicar loções calmantes ou pomadas enti-pruriginosas;

Em alguns casos, podem desenvolver-se infeções bacterianas, pelo que, é possível, que sejam necessários antibióticos e, em situações mais graves, pode ser utilizado um medicamento anti-viral denominado por Aciclovir. 

 

vacinação.jpg

 

 

É importante realçar que, ambas as situações, necessitam de observação e indicações médicas. 

Importa também referir que, tanto o sarampo como a varicela, são duas das doenças abrangidas pelo Plano Nacional de Vacinação que não deve ser descuidado.