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Aprender uma coisa nova por dia

Nem sabe o bem que lhe fazia

A Terapia da Fala

(Imagem retirada daqui)

 

     Hoje, de uma forma breve e simplista, será explicado o que é a Terapia da Fala, a minha profissão. Uma área da saúde que há poucos anos começou a ganhar terreno e que, apesar do seu crescimento, se mantém incógnito para muita gente. Hoje será transmitido o básico da Terapia da Fala e todas as semanas serão faladas as áreas específicas da profissão, algumas doenças e a Terapia da Fala e dúvidas que desse lado possam surgir.

 

O que é a Terapia da Fala?

     Se formos começar por uma definição poderemos dizer que segundo a Associação Portuguesa de Terapeutas da Fala, o Terapeuta da Fala é responsável por avaliar, diagnosticar e reabilitar ou habilitar perturbações relacionadas com a comunicação, linguagem, fala e funções estomatognáticas (entenda-se mastigação, deglutição, respiração). Sendo o Terapeuta da Fala o terapeuta da comunicação, é necessário que este tenha em conta todos os tipos de comunicação, sejam eles verbais ou não-verbais.

     Esta é a versão ‘pomposa’ do que o Terapeuta pode fazer, mas a realidade é que ainda assim muita gente não saberia explicar e explorar o que o terapeuta da fala faz na realidade.

 

Quais as áreas de intervenção e com quem trabalha o Terapeuta da Fala?

      A maioria das pessoas com que me cruzo pensam que Terapia da Fala é só ensinar crianças a falar “ah tu ajudas as crianças a dizer o L quando não sabem!”, sim é verdade que o faço, mas faço muito mais que isso.

      As áreas de intervenção de terapia da fala podem ser divididas em: Linguagem (oral e escrita), comunicação, articulação, voz, deglutição, motricidade orofacial e fluência. Cada uma destas áreas pode ser trabalhada em todas as faixas etárias, desde crianças a adultos. Não é por se ter 80 anos que não podemos melhorar as competências de mastigação e não é por se ter 7 anos que não podemos ensinar uma criança a não abusar da voz e não ficar rouca com tanta frequência. O Terapeuta da Fala está responsável por todas estas áreas de intervenção, mas é necessário ter em atenção que esta valência da área da saúde pode ter de ser complementada com outras, nomeadamente, Fisioterapia, Terapia da Ocupacional, Ortodontia, Otorrinolaringologia, Audiologia, entre outras, até professores e educadores. Para se obterem os melhores resultados de cada caso é necessário o terapeuta trabalhar em equipa e coordenar os seus objectivos com outros profissionais, e claro com a família e o paciente em questão.

 

Onde trabalha o Terapeuta da Fala?

      Em tempos o local de trabalho mais comum para um Terapeuta da Fala seria num consultório médico, hoje em dia a tendência do terapeuta é enorme. Já podemos encontrar terapeutas em hospitais, clínicas de fisiatria, centros de reabilitação, escolas, infantários, lares de idosos, gabinetes privados, centros de saúde, IPSS e até em serviços ao domicílio.

      A Terapia da Fala tem aumentado a sua presença em vários locais, ainda está em crescimento e há imensas entidades que ainda não compreendem a importância da terapia em diferentes contextos, mas aos bocadinhos temos conseguido ganhar terreno.

 

      No fim, apenas podemos dizer, apesar do nome sugerir que Terapia da Fala é só fala, que Terapia da Fala é muito mais que isso!

Respiração 4-7-8

(foto tirada de http://www.drweil.com/)

 

Ansiedade, stress, dores de cabeça, insónias, ataques de pânico… levante a mão quem nunca foi atingido, mesmo que ocasionalmente, por algum destes flagelos tão comuns nas sociedades ocidentais modernas. Por razões de ordem vária, andamos demasiado tensos a maior parte do tempo, e por vezes a tensão acumulada é tão grande que não conseguimos relaxar nem nas nossas horas livres – e com frequência nem nos apercebemos do mal que nos aflige; apenas sabemos que não nos sentimos bem.

Embora a maioria de nós desconheça a dimensão total da sua importância, a respiração é um dos factores que mais pode contribuir para o nosso bem-estar. Existe uma relação estreita entre a respiração e as nossas emoções. Quando estamos ansiosos tendemos a respirar mais rápida e superficialmente, e por vezes até retemos a respiração durante mais tempo do que o necessário, o que origina uma deficiente oxigenação do sangue, com todas as consequências adversas que daí derivam.

O Dr. Andrew Weil é um médico americano defensor da medicina integradora, ou seja, uma combinação das medicinas convencional e alternativas, e preconiza uma abordagem holística das questões ligadas à saúde. Inspirado nas técnicas de meditação orientais, o Dr. Weil tem vindo a divulgar um método de respiração que afirma ser adequado para combater os estados de ansiedade e até mesmo a insónia: a respiração 4-7-8 (ou respiração relaxante).

É um exercício respiratório simples, constituído por quatro passos, que pode ser realizado em qualquer lugar e posição. No entanto, na fase de aprendizagem o Dr. Weil aconselha estar sentado com as costas direitas. Para maximizar o efeito, durante todo o exercício a ponta da língua deverá estar colocada naquela parte saliente do céu-da-boca que está precisamente atrás dos incisivos superiores.

  • Expire completamente através da boca, emitindo um som suave.
  • Feche a boca e inspire calmamente pelo nariz, contando mentalmente até quatro.
  • Sustenha a respiração enquanto conta mentalmente até sete.
  • Expire completamente através da boca, emitindo um som suave e contando mentalmente até oito.

Este é um ciclo completo. Volte a inspirar e repita o ciclo por três vezes, num total de quatro respirações.

Nesta técnica, a expiração demora o dobro do tempo da inspiração. A proporção 4:7:8 é o mais importante para obter bons resultados. Caso seja difícil suster a respiração durante tanto tempo, podemos acelerar o exercício, contando mais rapidamente, desde que esta proporção seja mantida durante as três fases. Com a prática o exercício tornar-se á mais fácil.

Este exercício acalma de forma natural o sistema nervoso e o Dr. Weil sugere que seja executado pelo menos duas vezes por dia. Durante o primeiro mês, não deverão ser feitos mais do que quatro ciclos de respiração de cada vez. Mais tarde poderão ser aumentados até oito ciclos, caso se deseje.

É possível que inicialmente se sinta uma ligeira sensação de tontura quando se respira desta forma, mas isso passa rapidamente.

No seu website, o Dr. Weil mostra em vídeo como realizar este exercício. Pode vê-lo aqui.

Já experimentei esta técnica, e posso assegurar que resulta mesmo. É uma boa opção quando nos irritamos por qualquer motivo, quando há dificuldade em adormecer ou quando a ansiedade se instala. Fazendo dela um hábito, poderá mesmo ser uma alternativa ao uso recorrente de calmantes, soporíferos e outros quejandos. A bem da nossa saúde.