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Aprender uma coisa nova por dia

Nem sabe o bem que lhe fazia

"Estilo de Vida" - um determinante da saúde individual (e comunitária)

 Hoje, apeteceu-me falar de “determinantes e indicadores de saúde" individual (e comunitária).

 Há fatores- os chamados determinantes de saúde - que interferem (direta ou indiretamente) na saúde de uma pessoa: a idade, as condições socioeconómicas, o acesso aos cuidados médicos, o ambiente físico, entre outros. Por outro lado, os parâmetros (mensuráveis) que permitem avaliar esses determinantes – os indicadores de saúde – permitem orientar as políticas de saúde e avaliar as medidas tomadas na área da saúde.

 De todos os determinantes de saúde, os comportamentos individuais: alimentação, hábitos de higiene, prática de exercício físico e adoção de um estilo de vida saudável, influenciam fortemente o estado de saúde.

 De acordo com Manuel Santos Rosa (Professor Catedrático de Imunologia da FMUC[1]: “Comer metade (mas bem), andar o dobro e rir o triplo” influencia o nosso sistema imunitário. Segundo aquele especialista, se tivermos em atenção o triângulo: alimentação (comer), exercício físico (andar) e estado de espírito (rir), o nosso sistema de defesa das agressões externas e internas – o sistema imunitário - fica mais forte.

 De facto, a filosofia de vida, a atividade física e a alimentação são determinantes da saúde que podem contribuir para a longevidade e para a qualidade de vida. Um exemplo paradigmático desta interação é a longevidade dos okinawanos – habitantes das ilhas Okinawa, no sul do Japão. Segundo um estudo científico - Okinawa Centenarium Study – esta região do mundo possui uma taxa muito elevada de idosos centenários. Segundo consta, a província de Okinawa detém a esperança de vida e a esperança de saúde mais longas do mundo.

 Segundo os investigadores, do referido estudo, os okinawanos desenvolvem uma filosofia de vida – o ikigai – cujo lema é: “aquilo que faz a vida valer a pena”, responsável pela sua qualidade de vida. Os okinawanos idosos “têm um forte sentido de propósito na vida”. Esta visão da vida - atribuição de “significado e propósito a tudo o que fazem” – provavelmente serve de “defesa contra o stresse e a ansiedade”. Por outro lado, muitos pertencem a um moaiuma rede de auxílio mútuo financeiro, emocional e social durante toda a vida”. E, claro, o tipo de alimentação que praticam – com muitos vegetais, tofu, sopa de miso[2] e muto pouca carne e peixe. Aliás, têm como lema: hara hachi bu – encher apenas 80% do estômago.

 Ora, considerando estes dados e a opinião do Professor da FMUC, conclui-se que há determinantes da saúde (individual e comunitária) que não devem ser menosprezados. Pelo contrário, devemos dar mais atenção ao nosso estilo de vida, pois o mesmo pode - se regrado - retardar problemas de saúde e assegurar a qualidade de vida no futuro.

 

Fontes:

http://www.okicent.org/study.html

http://www.okicent.org/docs/bjw_jgbs_sibling.pdf

Delgado, Z. e Canha, P. (2015) À Descoberta do Corpo Humano. 9º CN, Vol. 1, Editora Texto.

 

 

 

[1] Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

[2] Soja fermentada.