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Aprender uma coisa nova por dia

Nem sabe o bem que lhe fazia

Engasgues frequentes?

      Na semana passada fiz-vos reflectir sobre a forma como engolimos, apenas para esta semana conseguir-vos explicar o que é a disfagia. A disfagia sempre foi uma das temáticas da Terapia da Fala que mais medo me causava, por uma simples razão, más práticas podem levar a problemas gravíssimos de saúde para com o doente ou até mesmo a sua morte. A primeira vez que fiquei num gabinete com uma pessoa com disfagia quase que tinha um ataque de tão nervosa que estava, daí num curto espaço de tempo ter tirado um curso específico sobre esta área de intervenção, agora pensem no quão séria é esta área.

(Imagem retirada daqui)

 

     Antes demais, o que é a disfagia? Cientificamente a disfagia é 'um distúrbio da deglutição, presente na alimentação. A dificuldade pode prender-se com o início da deglutição, denominada disfagia orofaríngea, ou pode relacionar-se com a retenção com algum tipo de alimento na passagem do mesmo para o estômago'. Muitas vezes começa com simples sintomas, como engasgar-nos frequentemente com determinados tipos de alimento, dificuldades ou demorar mais a engolirmos e até dores ao engolir.

        O tipo de disfagia depende do local onde se sente alteração ou mesmo dor. Assim, quando alguém sente dificuldade em iniciar a deglutição, quando existe presença de regurgitação nasal (sai alimento pelo nariz), tosse, redução do reflexo de tosse, engasgamento, mau hálito e som anasalado, o tipo de disfagia é a orofaríngea. Mas disso não será tão necessário assim saber-se, o importante é estar-se atento a estes sinais de alerta.

         Quando os primeiros sinais surgem de disfagia é importante dirigir-se a um médico, pois a disfagia tem consequências graves como pneumonias. Uma doença silenciosa que muitas vezes não surge de uma simples constipação, mas de uma aspiração de alimento para os pulmões, quando a protecção da via não funciona normalmente. Outra consequência será a falta de nutrição, a falta de apetite, a dificuldade em que surja um alimento que facilite a deglutição, o que poderá levar à perda de peso e mesmo de hidratação.

           As causas da disfagia, essas ainda são variadas, poderá advir de um AVC, de uma lesão nos nervos responsáveis pela deglutição ou estruturas que lhes estão subjacentes e até mesmo da velhice. É necessário lembrar que todas as nossas estruturas estão envolvidas por músculos, e tal como acontece nas pernas e em outras partes do corpo, estas com a idade perdem funções e esse processo acontece em todo o corpo, incluindo na laringe (responsável pela protecção de entrada de líquido para os pulmões durante a alimentação).

Aos 2 minutos de vídeo podemos ver a disfagia de uma forma mais elucidativa.

 

A reter? Aos primeiros sinais consistentes de disfagia à que procurar um profissional de saúde.

 

Já pensaram em como engolimos?

Já alguma vez vos passou pela cabeça de como é o processo de engolir? Pois, normalmente as coisas mais básicas do dia-a-dia nem nos fazem questionar como funcionam, mas hoje vou fazer-vos pensar no assunto.

Pensem que vão comer um bocadinho de chocolate. Metem à boca, fecham os lábios e depois? 

Agora vejam o vídeo seguinte:

Algo tão básico como engolir parece um processo muito mais complexo do que pensávamos, e é verdade, é um processo bastante complexo. Engolir obriga à coordenação de imensos músculos e sistemas, nomeadamente o respiratório, para além das inúmeras estruturas anatómicas que engloba. Existem autores que defendem que o processo de deglutição (engolir), tem 3 frases:

(Imagem retirada daqui)

 

Os primeiros sinais de problemas de deglutição surgem com os engasgues frequentes, com água ou algum tipo específico de alimentos. Surge com a dor ao engolir sem haver qualquer tipo de inflamação ou causa aparente e até mesmo após AVCs, em que alguns nervos tenham ficado afectados. A esse tipo de problemas chamam-se de disfagias, uma das áreas de intervenção do Terapeuta da Fala.

 

Hoje deixo-vos apenas o processo de deglutição, na próxima semana irei falar-vos das perturbações deste processo tão essencial e natural para a nossa sobrevivência e qualidade de vida.

 

 

'O meu filho precisa de ir à Terapia da Fala?'

(Imagem retirada daqui)

 

    Uma das perguntas com que me deparo com maior frequência é sobre o quando uma criança deverá ir ver o Terapeuta da Fala. Às vezes basta os pais dizerem-me os que os preocupa e a idade da criança para saber o que me espera, no entanto, aconselho sempre uma avaliação apenas para o despiste e para deixar os pais mais tranquilos. Foram muitas as avaliações que fiz apenas para consciência dos pais, pois as queixas vinham-me parar aos ouvidos e a palavra 'normal' colava-se às características que os pais me apresentavam. Perguntas como 'é normal a minha filha aos 5 anos não falar muito?', 'o meu filho de 4 anos não diz o L nas palavras, estou preocupada!', 'sabe, ele fala desde os 2 anos e agora com 4 gagueja, que faço?' ou até 'tem 2 anos e não diz nadinha!', são bastante frequentes. Os pais que me conhecem apanham-me na rua e perguntam-se se acho normal, e caso seja ou não, respondo sempre a necessidade de fazer uma avaliação e (o mais importante) lembrar-lhes que cada criança tem um ritmo de aprendizagem próprio.

      Hoje em dia os pais já estão mais alertados (pelo menos alguns) para as capacidades de aprendizagem dos filhos, ainda assim, o conceito de normalidade preocupa-os com o receio de que as suas crianças estejam atrasadas em relação aos outros. O que acho que falha é na transmissão de informação para os pais do que é normal em cada idade, dando sempre uma margem de alguns meses, eu faço questão de apresentar tabelas e livros com provas do que é normal aos pais dos meus meninos. É a apresentação da 'normalidade' que os deixa mais tranquilos. Por isso, antes de mais, em casos de dúvidas é só perguntar.

       Contudo, hoje apresento-vos alguns aspectos que deverão ser tidos em conta ao longo do desenvolvimento da criança que podem dar um alerta para a necessidade de procurar um Terapeuta da Fala.

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    Espero ter conseguido tirar algumas das vossas dúvidas, ainda assim, se persistirem é só perguntarem!