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Aprender uma coisa nova por dia

Nem sabe o bem que lhe fazia

Divórcio, como os filhos reagem

 

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Numa situação de divórcio e havendo filhos pelo meio as coisas tornam-se sempre mais complicadas.

Em Portugal e, segundo fontes do site, de 100 casamentos resultam 70 divórcios.

Por muito que os pais tentem que as coisas resultem para que a crian√ßa tenha uma estrutura familiar equilibrada, na maioria das vezes isso acaba por n√£o acontecer e devido a v√°rias situa√ß√Ķes o casal acaba por p√īr fim ao relacionamento.

Em conversa na semana passada com um pediatra, o mesmo disse que ‚ÄúQuanto mais nova √© a crian√ßa menos capacidade a mesma ter√° de se lembrar de uma vida com os pais juntos‚ÄĚ.

Segundo a psic√≥loga espanhola Cristina Noriega, autora do livro ‚ÄúDiv√≥rcio: como ajudarmos os nossos filhos? ‚ÄĚ as crian√ßas v√£o ter reac√ß√Ķes¬†diferentes face ao div√≥rcio consoante a faixa et√°ria em que est√£o.

 

Até aos dois anos:

 

A rela√ß√£o de confian√ßa entre o beb√© e os pais come√ßa logo no dia do nascimento. Primeiro com a m√£e, porque √© ela a principal cuidadora uma vez que o amamenta e, pouco a pouco, com o pai e os restantes elementos da fam√≠lia. Pode pensar-se que a crian√ßa n√£o sente o div√≥rcio dos pais, mas sente. Ao n√≠vel emocional e a n√≠vel visual. Vai sempre acabar por sentir a aus√™ncia do pai ou da m√£e. No caso de uma mudan√ßa de local de habita√ß√£o, a crian√ßa vai ter uma percep√ß√£o¬†visual das diferen√ßas entre um local e outro. Este tipo de altera√ß√Ķes pode causar mudan√ßas a n√≠vel do humor, sono e alimenta√ß√£o.

¬†Conselho da psic√≥loga: √Č fundamental que a crian√ßa tenha contacto habitual com os progenitores. √Č fundamental que se mantenha confiante e que mantenha o mais poss√≠vel a sua rotina di√°ria.

 

Dos dois aos três anos:

 

√Č nesta etapa da vida da crian√ßa que as mesmas sofrem as maiores altera√ß√Ķes, falar, andar e o largar da fralda e da chucha. Uma separa√ß√£o nesta fase pode abalar todas estas pequenas conquistas e at√©, fazer com que a crian√ßa ao inv√©s de progredir, regrida ou (em casos extremos) estanque completamente a evolu√ß√£o devido √† tristeza de j√° n√£o ter os pais juntos como habitualmente.

 Conselho da psicóloga: Mostrar-se ao filho o que se quer e permitir o contacto com ambos os pais. Os pais devem também estabelecer limites, porque é possível que os filhos desta idade entrem em negação constante. Através de atividades, como jogos, também é possível perceber o que eles estão a sentir. Caso existam comportamentos regressivos na criança, como chupar no dedo ou não controlar a urina e as fezes, é importante que deixe que o seu próprio filho ganhe autonomia por si. Não o repreenda. Dê-lhe tempo para se controlar sozinho.

 

Dos três aos cinco anos:

 

Entramos na fase dos ‚Äúporqu√™s‚ÄĚ. Est√£o numa fase em que a imagina√ß√£o √© muito f√©rtil, imaginam e contam muitas hist√≥rias. √Č tamb√©m a fase da vida em que a crian√ßa √© mais egoc√™ntrica, achando que tudo e todos vivem em fun√ß√£o dela. Uma separa√ß√£o nesta fase pode abalar muito a crian√ßa pois a mesma, devido aos aspectos¬†referidos, pode achar que a mesma ocorreu porque se portou mal, disse ou fez algo que levou os pais a deixar de viver juntos.

¬†Conselho da psic√≥loga: Corrigir poss√≠veis interpreta√ß√Ķes erradas sobre o que √© o div√≥rcio. E insistir que a culpa n√£o √© da crian√ßa e que nem a m√£e nem o pai os v√£o abandonar.

 

Dos seis aos doze anos:

 

Nesta fase as crian√ßas est√£o mais focadas na escola e na sua aprendizagem. √Č nesta fase que come√ßam a ter mais percep√ß√£o¬†dos sentimentos dos outros e dos delas pr√≥prias. Esta √© a fase que as crian√ßas t√™m mais capacidade para entender e aceitar o div√≥rcio. Se bem que tamb√©m √© a fase em que acalentam mais esperan√ßas de que as coisas se v√£o resolver e da√≠ pode advir a frustra√ß√£o e a tristeza. Podendo mesmo chegar a ter pesadelos e sensa√ß√£o de abandono por parte de um dos pais ou mesmo dos dois.

¬†Conselho da psic√≥loga: √Č importante manter contacto com a escola para informar da situa√ß√£o. Manter-se atento √† evolu√ß√£o na aprendizagem escolar. Mais: ¬†dizer aos seu filhos que os pais n√£o os v√£o abandonar, mas tamb√©m deixar claro que n√£o ficar√£o juntos.


Adolescência

 

Esta fase √© tamb√©m complicada pois, √© nesta fase que a crian√ßa/jovem come√ßa a desenvolver os tra√ßos de personalidade. Um div√≥rcio nesta fase pode causar danos irrevers√≠veis nesses mesmos tra√ßos de personalidade. √Č a fase em que a crian√ßa/jovem necessita de mais apoio por parte dos pais e se n√£o se sentir seguro em casa isso ir√° coloca-lo numa situa√ß√£o de inseguran√ßa e medo permanentes. O adolescente pode nesta fase tornar-se revoltado e apresentar dist√ļrbios alimentares, comportamentos sociais de risco, consumo de subst√Ęncias psicotr√≥picas e comportamentos sexuais de risco. Pode tamb√©m, de modo a que os pais estejam frequentemente juntos e a tentar protege-lo, apresentar quadros de dores de cabe√ßa ou dores de barriga.

Conselho da psic√≥loga: Explicar abertamente em que consiste o div√≥rcio e implicar o filho em decis√Ķes como a da cust√≥dia partilhada. √Č preciso estar atento ao seu comportamento na escola, √†s notas, porque na maior parte das vezes √© aqui que se sentem as consequ√™ncias de um div√≥rcio. Aten√ß√£o, √© importante n√£o converter o filho num parceiro, num pai ou num confidente.

 

Como é óbvio, todos estes quadros apresentados são baseados em estudos efetuados numa parte da população infantil/adolescente em situação de separação parental. Não se pode de maneira alguma generalizar a situação até porque cada caso é um caso e cada criança/jovem encara a separação de um modo diferente. A mesma condicionada muitas vezes vela situação familiar vs maneira como o divórcio acontece.

Nos casos mais extremos os pais são aconselhados a recorrer a ajuda profissional, esteja a criança/jovem inserida em qualquer uma das faixas etárias a cima indicadas, para que se perceba até que ponto a separação a afetou psicologicamente.

Em todo o caso, √© necess√°rio que o assunto div√≥rcio seja o menos penoso e traum√°tico poss√≠vel, tanto para a crian√ßa/jovem como para os pr√≥prios pais. Uma vez que a crian√ßa √© um aut√™ntico aspirador de emo√ß√Ķes e, ao sentir os pais desinquietos, vai ter a tend√™ncia para ela pr√≥pria andar mais irritada.