Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Aprender uma coisa nova por dia

Nem sabe o bem que lhe fazia

O Pão caseiro

Depois da sopa da pedra, hoje venho contar-vos que aqui, na terra de Almeirim, não chamamos "bolas" aos pequenos pães de forma arredondada... não, esta é uma terra muito especial, ainda que digam que "Almeirim é terra de gente ruim", eu até acho que há aqui muito boa gente!

 

E portanto alguém, não sabemos quem, mas que era boa gente com certeza, lembrou-se de chamar a este pão:

 

transferir.png

 

o nome de caralhotas. Sim, é verdade. 

 

 

Não acreditam? 

 

Vão ler lá no Priberam.

 

Já foram?

 

Ora muito bem, agora que já aprenderam uma coisa nova vem aí a segunda que é:

 

E porque razão o pão tem este nome?

simples, "Caralhota é como se chama ao borboto das camisolas. Havia uma velhinha que estava a cozer pão e a filha raspou o alguidar e fez uma bolinha com os restos. Quando a senhora perguntou o que estava a fazer, respondeu: ‘Uma caralhota, mãe.' E ficou assim", eu confesso que também não sabia a razão...


 E como não há duas sem três, vamos aprender mais uma coisa:

 

Tentar fazer as caralhotas em vossas casas. Eu, mulher prendada mentira digo-vos como se fazem. Podem ser feitas em qualquer forno, quem não tem de lenha faz no forno normal que tem na cozinha!

 

Ingredientes 

1 kg de farinha sem fermento

10 gr de fermento de padeiro (não é aquele do supermercado, compra-se na padaria)

água quente/morna

Sal grosso

Papel vegetal daquele dos bolos

 

Preparação

Ligar o forno (180º)

Num alguidar de barro, ok, pode ser de plástico, coloca-se a farinha.

Numa taça coloca-se o fermento, um pouco de água e o sal, basta uma mão fechada com sal, isto é enche-se a mão, mas fecha-se  sai o excesso. Uma mão-cheia por cada quilo de farinha.

Depois do sal derretido e do fermento dissolvido misturar na farinha e ir acrescentando água e amassando (sim, com a mão) até a massa ficar "elástica"

Tapar o alguidar com um pano e deixar num sítio morno (ou embrulhado numa coisa quentinha)

Meia hora depois, colocar o papel vegetal no tabuleiro e colocar farinha, e com ajuda da farinha ir moldando as bolas de massa, convém deixar espaço entre elas para quando crescerem não se colarem.

 

Vai ao forno e em quinze minutos têm a casa a ser inundada com cheirinho de pão quente!

 

Eu faço quase todos os fins de semana e deixem que vos diga, com manteiga, é bom que se farta!

 

A sopa da Pedra

Não sabem de onde sou?

 

Ora no final deste texto podem adivinhar... aqui nesta cidade três coisas têm muita fama: o melão, o vinho e a sopa da pedra...

 

A sopa da pedra essa então faz com que pessoas se inscrevam em excursões e em caravanas de autocarros... chegam cheias de vontade de provar essa iguaria (que aqui para nós é apenas sopa de batatas, carne, feijão e couves).

Ora conta a lenda...

 

.. que um frade andava no peditório. Chegou à porta de um lavrador, não lhe quiseram dar esmola. O frade estava a cair com fome, e disse:

 

- Vou ver se faço um caldinho de pedra!
E pegou numa pedra do chão, sacudiu-lhe a terra e pôs-se a olhar para ela, para ver se era boa para fazer um caldo. A gente da casa pôs-se a rir do frade e daquela lembrança.
Perguntou o frade :
- Então nunca comeram caldo de pedra? lhes digo que é uma coisa boa.
Responderam-lhe :
- Sempre queremos ver isso!
Foi o que o frade quis ouvir. Depois de ter lavado a pedra, pediu :
- Se me emprestassem um pucarinho.
Deram-lhe uma panela de barro. Ele encheu-a de água e deitou-lhe a pedra dentro.
- Agora, se me deixassem estar a panelinha ao das brasas.
Deixaram. Assim que a panela começou a chiar, tornou ele :
- Com um bocadinho de unto, é que o caldo ficava um primor!
Foram-lhe buscar um pedaço de unto. Ferveu, ferveu, e a gente da casa pasmada pelo que via. Diziafrade, provando o caldo :
- Está um bocadinho insosso. Bem precisava de uma pedrinha de sal.
Também lhe deram o sal. Temperou, provou e afirmou :
- Agora é que, com uns olhinhos de couve o caldo ficava que até os anjos o comeriam!
A dona da casa foi à horta e trouxe-lhe duas couves tenras.
O frade limpou-as e ripou-as com os dedos, deitando as folhas na panela.
Quando os olhos já estavam aferventados, disse o frade :
- Ai, um naquinho de chouriço é que lhe dava uma graça.
Trouxeram-lhe um pedaço de chouriço. Ele botou-o à panela e, enquanto se cozia, tirou do alforje pão e arranjou-se para comer com vagar. O caldo cheirava que era uma regalo. Comeu e lambeu o beiço. Depois de despejada a panela, ficou a pedra no fundo. A gente da casa, que estava com os olhos nele, perguntou:
- Ó senhor frade, então a pedra?
Respondeu o frade :
- A pedra lavo-a e levo-a comigo para outra vez.

 

E assim começou a fazer-se a dita sopa cá na terra!

 

Para quem se quiser aventurar deixo a receita:

 

Receita - Sopa da Pedra

Ingredientes:


- 2,5 l de água

- 1 kg de feijão vermelho

- 1 orelha de porco

- 1 chouriço de carne

- 1 chouriço de sangue (morcela)

- 200 g de toucinho

- 2 cebolas

- 2 dentes de alho

- 700g de batatas

- 1 molho de coentros

- Sal, louro e pimenta a gosto

 

Preparação:
Ponha o feijão a demolhar de um dia para o outro. De véspera, escalde e raspe a orelha de porco de modo a ficar bem limpa.

 

No próprio dia, leve o feijão a cozer em água, juntamente com a orelha, os enchidos, o toucinho, as cebolas, os dentes de alho e o louro. Tempere de sal e pimenta. Junte mais água, se for necessário. Quando as carnes e os enchidos estiverem cozidos, tire-os do lume e corte-os em bocados.

 

Junte, então, à panela as batatas, cortadas em cubinhos e os coentros bem picados.
Deixe ferver lentamente até a batata estar cozida. Tire a panela do lume e introduza as carnes previamente cortadas.

 

No fundo da terrina onde vai servir a sopa coloque uma pedra bem lavada.

 

a receita oficial pode ser lida aqui