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Aprender uma coisa nova por dia

Nem sabe o bem que lhe fazia

o dia da mulher não é o dia do elogio à pila

o dia da mulher é visto, nos últimos tempos, como uma reunião pública levada a cabo por um bando de senhoras, meninas, matronas, avós, mamãs, solteiras e mais que houvesse onde se come, bebe e se observa, com grande excitação, aquilo que naquele momento lhes parece de suma importância:

homens semi despidos com um pack que não é six. 

 

infelizmente é esse o significado que este dia assume para algum mulherio e para um maior número de homens:

a celebração, a festa, a data especial em que elas podem ver sem censura um ou outro espécime do sexo oposto, em trajes menores, depois de retirar com garra esta ou outra farda a lembrar profissões em que se usam bastões e mangueiras.

estranhamente é como que, se de uma forma absolutamente retorcida, o dia da mulher fosse uma ode ao pénis!

e há coisa mais errada do que isso?

 

eis que ficam pois 4 factos que demonstram que este dia nada tem a ver com pilas.

ou melhor: nada tem a ver com o elogio das ditas.

a haver alguma relação era na luta contra elas. 

16362-Como-Surgiu-o-Dia-Internacional-da-Mulher-

 

1. o dia internacional da mulher tem como origem as manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada da rússia czarista na primeira guerra mundial. essas manifestações foram brutalmente reprimidas e marcaram o início da revolução de 1917. a data da principal manifestação, 8 de março de 1917  foi instituída como dia Internacional da mulher entre o movimento internacional socialista.

 

2. por sua vez, a primeira proposta de criar um dia em homenagem às mulheres foi feita pelo partido socialista norte-americano em 1909. no ano seguinte, a internacional comunista, realizada em copenhaga, decidiu colocar a ideia em prática, já que as manifestações pelo direito de voto e o fim da discriminação feminina se multiplicavam em todos os países industrializados.

 

3. no ocidente, o dia internacional da mulher foi comemorado no início do século, até a década de 1920. depois a data foi esquecida por muito tempo e só recuperada pelo movimento feminista, já na década de 1960.


4. 1975, foi designado pela ONU como o ano internacional da mulher e, em dezembro de 1977, o dia internacional da mulher foi adotado pelas nações unidas, para lembrar as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres.

existem algumas versões para que a escolha tenha recaído no dia 8 de março. a versão mais conhecida diz que, nessa data, em 1857, 129 operárias de uma fábrica têxtil de nova iorque entraram em greve. além de salário igual ao dos homens, elas reivindicavam a redução das horas de trabalho, que era de até 16 horas diárias. os patrões trancaram as operárias e incendiaram a fábrica. todas elas morreram queimadas.

 

em suma: como bem se vê o objectivo da data nunca foi somente comemorar.

pretendia-se antes alertar, não fazer esquecer e, sobretudo, discutir o papel da mulher na sociedade, tentando-se erradicar o preconceito e a desvalorização da mulher que ainda sofre - e vai sofrer - com

  • salários mais baixos sem qualquer justificação;
  • violência masculina;
  • horários de trabalho excessivos; e,
  • desvantagens na carreira profissional unicamente por terem uma vagina em vez de uma pila.

 

por isso mesmo minhas senhoras, logo à noite quando vestirem a mini saia e forem dar gritinhos histéricos a duas pilitas mais pequenas do que os peitorais de quem as apresenta, pensem duas vezes se na data em que deviam pensar seriamente na vossa posição relativamente ao homem, vos apetece soltar elogios ao tamanho da masculinidade que durante séculos vos amarrou como bicho inferior.

 

sejamos francas:

nada tenho contra pilas.

em algumas ocasiões consigo até ver-lhes muita utilidade.

mas daí a transformarem esta data no elogio da dita é coisa que não entendo.

(ia dizer é coisa que não me entra, mas acho que o texto já está poético que chegue). 

 

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