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Aprender uma coisa nova por dia

Nem sabe o bem que lhe fazia

As pessoas com Demência tipo Alzheimer não perdem (toda) a memória.

Antes de mais, vou tentar simplificar o significado de Demência:

  • Demência não é uma Doença, é uma Síndrome. Ou seja, um conjunto de sinais e de sintomas que dão origem à manifestação de uma ou de mais doenças.
  • Neste caso, falamos de um conjunto alargado de doenças. As demências mais comuns/conhecidas são: Demência tipo Alzheimer, Demência Vascular, Demência Fronto-temporal, Parkinson, Demência de corpos de Lewy, etc.
  • É um termo abrangente que descreve  um conjunto de sinais e sintomas que  incluem a perda de memória, da capacidade intelectual, do raciocínio, da orientação, de competências sociais e alterações das reações emocionais normais.
  • Dependendo do tipo de Demência que a pessoa tiver, há sinais e sintomas que aparecem primeiro, outros que aparecem mais tardiamente, ou mesmo outros que não se chegam a manifestar.

 

 

 

Mas agora, voltando ao cerne do post, pelo contacto e experiência que tenho tido com estes doentes e respetivas famílias, quando pensamos em alguém com Alzheimer, pensamos logo que é alguém que perdeu toda a sua memória. Mas não é bem assim.

 

Uma das áreas do cérebro que se verifica logo afetada quando se diagnostica Alzheimer, é o córtex cerebral, onde se encontra a área das memórias. Contudo, dentro do córtex, a área que fica mais afetada, é o hipocampo, que desempenha um papel fundamental na formação de novas memórias. E são estas que ficam de imediato afetadas, sendo este, um sinal facilmente observável para quem convive frequentemente com alguém com Alzheimer.

 

Estes doentes, deixam de conseguir reter memórias recentes, e há medida que o tempo avança, a recordação desse tipo de memórias é cada vez menor. Contudo, a recordação de memórias antigas, não desaparece de imediato, e quanto mais antiga for a memória, mais a pessoa mantém essa recordação.

 

Vou dar-vos exemplos práticos. A pessoa com Alzheimer:

- É capaz de se recordar dos filhos quando tinham 10 anos de idade, mas não quando estes atingiram os 50 anos. Logo, a imagem que retém deles é a de crianças de 10 anos. Daí que não os reconheçam na atual idade.

- É capaz de se recordar do carro que teve enquanto jovem, mas não do Carro que possui atualmente. E Daí deixar de o reconhecer como seu.

- É capaz de se recordar de si, enquanto jovem de 20 anos, mas não enquanto idoso de 80 anos. Pelo que deixa de reconhecer a sua imagem atual ao espelho. Pois a memória que tem de si, é a de um jovem de 20.

 

Ou seja, como podem ver, e especialmente para quem convive, trabalha e lida frequentemente com estes doentes, uma grande parte do sucesso das nossas relações com este tipo de doentes, passa muito por compreender em que "fase" da sua vida/memória é que eles estão. Assim, conseguiremos compreender também, o seu discurso, as suas atitudes, forma de manifestação das suas necessidades, e acima de tudo, conseguiremos manter uma relação saudável, tendo em conta a promoção da sua identidade.

 

 

E já agora, já repararam o quão a nossa identidade se relaciona com as memórias que temos?

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