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Aprender uma coisa nova por dia

Nem sabe o bem que lhe fazia

A vida sexual após a Maternidade

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Após o nascimento do primeiro filho a vida sexual de um casal é completamente abalada. Não apenas pela entrada de um novo membro em casa como por toda a alteração da vida familiar.

Nos primeiros meses de vida de um bebé os horários passam a ser estipulados pelas necessidades da criança, o tempo a dois é escaço ou inexistente devido à necessidade constante de amamentar (tarefa que cabe única e exclusivamente à mãe), após o parto existe sempre o risco de DPP, do pós parto até à retoma da vida sexual pode levar algum tempo derivado a receios ou medo de que o acto seja doloroso, a dedicação total e completa de uma mãe ao filho – acaba por se esquecer que o parceiro existe e também ele carece de atenção e carinho.

São alguns dos muitos motivos que levam um casal a afastar-se após o nascimento de uma criança e pode levar – na pior das hipóteses – ao divórcio.

Após o nascimento do primeiro filho é necessário um esforço conjunto do casal para que a vida sexual retome um curso normal e seja prazerosa para os dois.

 

A ginecologista Carol Ambrogini, criadora do Projeto Afrodite, desenvolve estudos nesta área e ajuda mulheres que, após o primeiro filho, não conseguem retomar sozinhas e de forma natural a vida sexual.

 

Existe vida sexual depois dos filhos ou isso é lenda? 

O sexo deve ser parte importante de qualquer relacionamento amoroso, independente se o casal tem filhos ou não. É ele que traz a conexão homem-mulher à relação, que gera cumplicidade, alegria e sintonia aos dois como casal. Os filhos pertencem aos papéis de pai e mãe, são de outro “departamento” da união e não são desculpa para que a vida sexual seja anulada. Se o sexo está má, ou difícil, outros fatores devem ser pesquisados. O casal que tem desejo sexual mútuo pode ter uma vida sexual satisfatória mesmo tendo dez filhos.


Como manter uma vida sexual ativa e quente quando você só pode fazer sexo nos mesmos horários e dentro do quarto e, ainda assim, correndo o risco de seu filho bater na porta e ficar chamando mamããã? 

Mas são justamente a imaginação e a criatividade que dão toda a graça ao sexo. Se for pra fazer sexo todas as vezes da mesma maneira, vai ficar chato, previsível, acabando com o desejo sexual. O bom é pensar em situações diferentes dentro desta nova realidade com os filhos. Para isto, é importantíssimo que o casal tenha tempo para namorar, que a criança durma (em sua própria cama), num horário em que se é possível ter “vida” depois. Numa casa organizada e com rotina é mais fácil ter tempo e disposição para o sexo.

  
Por que o desejo sexual diminui tanto depois da chegada dos filhos, especialmente quando eles são pequenos? É uma questão física, hormonal ou emocional? 

Acho importante falar que ter uma diminuição de desejo após os primeiros meses da chegada de um bebê é perfeitamente normal e esperado. Biologicamente falando, o “corpo não quer” que a mulher engravide de novo, pois precisa desenvolver aquela “cria” primeiro. A prolactina, a hormona responsável pela amamentação, bloqueia a produção de testosterona, um dos fatores responsáveis pelo desejo sexual. Sem falar no cansaço das noites mal dormidas, nas mulheres que sofrem com depressão pós-parto, na vida que fica mais corrida... Identifico outro fator marcante: a maternidade vem para a mulher com uma força estrondosa. Ela chega para ocupar o papel central de suas vidas e muitas esquecem-se de que no meio à mãe, à profissional que ela tem que continuar sendo, à dona de casa, existe também a mulher. E é fundamental para a libido que este papel de mulher seja respeitado e cuidado, sem culpa e com leveza. Também há de se ter muito cuidado para não “maternalizar” a relação. Nas conversas com o parceiro, evite tornar-se repetitiva com o assunto filhos. 

 

Dizem que a retomada da vida sexual vem junto com a independência do filho. Isso significa que o sexo só vai rolar de verdade quando o filho for morar com a namorada? 

De forma alguma. O casal deve readaptar-se à nova rotina com as crianças. É fundamental para um bom relacionamento, uma vida sexual satisfatória. O casamento não pode ficar restrito aos filhos, eles são uma parte importante deste, mas não o todo. O casal deve reservar um tempo para namorar, fazer projetos para o futuro, ter vida social. Está complicado? Prepare um jantar romântico, abre um vinho, prepare-se para o sexo, não como uma obrigação e sim como um momento de lazer.

Essa redução do desejo sexual diminui para todas as mulheres depois da maternidade ou também é comum o ritmo voltar rapidamente ao normal? 

A diminuição do desejo após a chegada dos filhos é uma queixa frequente. Como disse, é esperado que ela ocorra principalmente durante o período de amamentação. No entanto, muitos casais vão se adequando com o tempo. Uma pesquisa inglesa mostrou uma redução dos níveis de testosterona nos homens logo após tornarem-se pais. Os pesquisadores levantaram a hipótese de esta redução ser uma adaptação biológica do homem à vida em família.

Não acho certo culpar os filhos pela diminuição de desejo. Outras questões devem ser pesquisadas. Na verdade, muitos casais relatam que ao tornarem-se pais, ficaram mais unidos e felizes.

 
Um dos conselhos que as mães ouvem é para jogar fora as calcinhas e sutiãs beges dos tempos de gravidez e investir em roupas íntimas mais interessantes. Mas muitas vezes o cansaço é tão grande que o que menos se quer é provocar o marido. Como faz para não chatear o parceiro?

A mulher deve sim, doar toda esta lingerie “foleira”, também deve ter cuidados com a sua imagem e feminilidade. Vejo muitas mulheres que, depois de mães, adotam como vestuário, roupa de agasalho e tênis. Sentir-se bonita e atrativa é essencial para a libido, mesmo que não se vá fazer sexo.

Com relação ao cansaço, uma coisa é sentir-se cansada ocasionalmente, neste caso não há problema nenhum em frustrar o parceiro, afinal mulher nenhuma tem que estar sempre pronta para o sexo. Outra questão diferente é estar cansada o tempo todo e ficar inventando desculpas para não fazer sexo. Se a mulher está nestas condições, algo está errado na sua rotina ou na sua saúde, que precisam ser revistos. Às vezes é só uma questão de pedir ajuda, de expor o problema, inclusive para o parceiro.

 
A postura do parceiro como pai tem influência no desejo sexual da mulher? 

Acredito que sim. Não admirar o parceiro como pai é bem tocante para a imagem dele como companheiro de vida, gera decepção. No entanto, ser este “excelente pai” é também uma idealização feminina. Ao invés de ficar apontando defeitos, é importante conceder espaço para este pai e analisar o vínculo da criança com ele. Este último item diz tudo sobre ser ou não ser um bom pai.

 


Algum conselho para os maridos/companheiros? 

Companheiros que elogiam e galanteiam suas parceiras ganham sempre pontos. Entender que a mulher ganhou uma função a mais com a maternidade também é importante, bem como ajudá-la nesta nova fase. Não precisa trocar fralda, mas saber cuidar da criança para ela poder ir à manicura, só vai facilitar a relação dos dois. Quanto ao sexo, é relevante saber que as mulheres sentem menos desejo sexual que os homens e que a qualidade é mil vezes mais importante do que a quantidade.

 

E dicas para nós, mulheres?

O desejo feminino é complexo e delicado. Muitas vezes é preciso ir atrás dele com atitudes mais ativas. Uma dica é erotizar a relação, buscando estímulos em contos, filmes, músicas, brinquedos eróticos, etc. Proponha-se a ter uma determinada frequência sexual e  seja mais disponível ao sexo. Pode ser que não esteja com “aquela” vontade, mas ao permitir uma investida do parceiro pode animar-se e ter uma ótima relação sexual. No dia seguinte, vai lembrar-se dela e poderá até ficar mais entusiasmada. Resumindo, XÔ, preguiça sexual!

 

Fonte: http://mamatraca.com.br/?id=270