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Aprender uma coisa nova por dia

Nem sabe o bem que lhe fazia

o que aconteceu, afinal, no voo 370 da malaysia airlines?*

*post gigantesco para gente que gosta de aviões e teorias da conspiração

 

aeroporto kuala lumpur na malásia. 8 de março de 2014. voo nocturno, n.º 370 da malaysia airlines com destino a pequim. 227 passageiros. 152 de nacionalidade chinesa.

piloto: zaharie ahmad shah há 33 anos na companhia; co-piloto fariq abdul hamid: primeira vez que vai pilotar um boeing 777 sem instrutor.

o voo descola, sem qualquer problema, por volta da meia noite e quarenta minutos. o avião, um boeing 777, é um do mais automatizados do mundo, exigindo apenas à tripulação que introduza a localização do ponto de navegação no computador de bordo. a partir daí o voo segue a rota definida, no caso para nordeste sobre o golfo da tailândia, antes de continuar para pequim.

a viagem tem a duração de seis horas. vinte minutos depois da descolagem o 777 atinge a velocidade de cruzeiro, sem se verificar qualquer aspecto anormal. em kuala lumpur os controladores só seguirão o avião enquanto o mesmo estiver no espaço aéreo da malásia sendo que à medida que o avião atravessa o golfo da tailândia os controladores no vietname assumirão essa tarefa.

por volta da uma hora e dezanove minutos é feito um contacto pelos controladores. nada de anormal a apontar, sendo as palavras trocada  absolutamente banais. espera-se que  a tripulação contacte os controladores vietnamitas dentro de um minuto.

dezanove minutos depois não havia ainda sido feito qualquer contacto por parte do voo. nem nunca se verificou. o 777 simplesmente desaparece no ar sem nunca mais ser visto ou recuperado.

 

a partir desse momento o mundo entra em pânico. o que é que aconteceu? como pode um avião simplesmente desaparecer no ar? como é que em pleno ano de 2014, num mundo cheio de radares e comunicações, satélites e gps, simplesmente desaparece, sem deixar qualquer rasto um avião cheio de pessoas?

o post de hoje (longo demais, na verdade, mas as circunstâncias assim o obrigam) debruça-se exactamente sobre as teorias e as conclusões a que se chegou sobre o desaparecimento do voo. porque as perguntas nunca cessaram. o que é que aconteceu ao maldito avião? despenhou-se? mas onde? foi raptado por extraterrestres? caiu numa ilha e as pessoas estão lá à espera de ser salvas?

infelizmente, a resposta é bem mais triste do que qualquer uma destas, bem mais aterradora como irão ver a seguir.

 

*a primeira teoria: o avião despenhou-se no golfo da tailândia

após o desaparecimento iniciaram-se as buscas no mar. o voo deixou de emitir qualquer sinal quando voava sobre o golfo da tailândia pelo que foi por ai que se iniciou a busca. china, austrália, eua, malásia uniram esforços na sua busca, sem no entanto, conseguirem qualquer resultado. o sitio onde o avião havia desaparecido tem uma cobertura limitada de radar (os sistemas de radar cobrem apenas cerca de 10% da superfície da terra sendo que, para além dos radares dos navios, não há outros a cobrir os oceanos). nenhum navio na região teve qualquer sinal. não se vêem detritos a flutuar.

nesta altura, e numa verdadeira corrida contra o tempo, os peritos recorreram a outra tecnologia: o ACARS, um sistema de comunicação que usa satélites para transmitir a informação entre o solo e o avião em voo, criado para ser um elo entre o avião e a terra. a particularidade do ACARS é que o mesmo não fornecendo dados constantes de localização do avião (através deste sistema não podemos saber onde o mesmo está) fornece informação vital sobre o seu desempenho, incluindo o nível de combustível.

recorrendo ao ACARS os investigadores esperam calcular durante quanto tempo o avião pode ter voado, após a última comunicaçao. No entanto, como não conseguem saber o rumo do voo, as buscas, infrutíferas, continuam no golfo da tailândia.

 

*a segunda teoria: foi sequestrado

sem conseguir chegar a qualquer conclusão, permanecendo o mundo em pânico acerca da possibilidade de se perder um avião com mais de duzentas pessoas, os investigadores não descartam nenhuma pista, nenhuma tese: depois de analisar exaustivamente todos os passageiros acabam por descobrir que dois deles entraram ilegalmente no avião, com passaportes roubados.

esta descoberta foi a catapulta para se desenvolver a ideia de que o avião havia sido sequestrado e que, mais cedo ou mais tarde, se exigiria um resgate pelos mais duzentos passageiros. as famílias respiraram de alivio, numa esperança crescente, apesar de todos saberem o triste fim de um dos sequestros de aviões mais famosos de sempre: o do 11 de setembro.

infelizmente nenhuma exigência foi feita. começa por isso a congeminar-se que o sequestro teria corrido mal e o avião ter-se-ia despenhado (o que levou a um duplo desespero das famílias). surgiram noticias que avançavam que se o avião tivesse dado a volta, naquele sitio, por ordens de sequestradores, o mesmo poderia ter caído nas selvas da malásia ou da indonésia pelo que as buscas estavam a ser mal direccionadas. em onze de março são revelados dados nos radares que sustentam ainda mais a teoria do sequestro: três minutos após a ultima transmissão via rádio o voo 370 desviou-se acentuadamente do trajecto.

o mundo espera com expectativa que a teoria se confirme. no entanto, para os peritos da aviação esta ideia não é viável. isto porque os pilotos têm vários modos de enviar sinais de emergência para o solo. é possível falar pela rádio, mandar sinais através de frequências de emergência, inserir algo no sistema ACARS e existe mesmo um código que se pode inserir no transponder que avisa instantaneamente o mundo da aviação quanto ao sequestro. é o chamado "squawking" - o envio de uma frequência especial para a torre de controlo e para a companhia aérea a transmitir o código de sequestro. ora, este sinal nunca foi recebido por ninguém. nem este sinal nem qualquer outro alerta que pudesse confirmar esta teoria.

por fim, pondo completamente por terra esta teoria, uma investigação policial descobre que os dois passageiros que voavam com passaportes roubados não tinham qualquer ligação terrorista, assim como qualquer pessoa no avião.

 

*a terceira teoria: emergência geral

depois de se ter descartado, de alguma forma, a ideia de sequestro, os investigadores redireccionam novamente as suas atenções para os radares. é nesta altura que descobrem que dois minutos antes da última comunicação o transponder (sistema que transmite a informação para terra como o número de voo, a posição etc. e que é imprescindível para localizar o avião) do 370 foi cortado. pior que isso é que após este corte também o sinal do sistema ACARS foi desligado, o que os deixa perplexos pois exige sérios conhecimentos que, presumiam, pouca gente tem.

do mesmo modo, conclui-se que para ambos os sistemas se desligarem em decorrência de alguma anomalia, esta não poderia ser rotineira. teria de ser necessariamente uma emergência geral, como por exemplo um incêndio a bordo que danificaria múltiplos sistemas, incluindo evidentemente os electrónicos. passa-se portanto, a analisar a lista de carga do voo chegando-se à conclusão que o avião levava carga potencialmente perigosa: 220 quilos de baterias de iões de lítio altamente inflamáveis.

a teoria do incêndio, agora reforçada, justificava assim, não só a falha abrupta de todos os sinais como ainda a curva abrupta do avião à esquerda, uma vez que o piloto poderia ter tentado regressar ao aeroporto ou preparar uma aterragem de emergência.

o único problema, que acaba por destruir esta teoria, é que para além de não ter havido qualquer comunicação via rádio, foi descoberto algo chocante que, mais uma vez, reacendeu a esperança das famílias: em londres, uma equipa de engenheiros da inmarsat descobriu, entre os dados do ACARS, uma série de sinais automáticos ou "handshakes"ou "pings" recebidos do voo 370, pasme-se, muito depois de se presumir que este se despenhara. 

dito por outras palavras, o avião continuou a enviar um sinal de serviço não durante minutos mas durante mais de sete horas após desaparecer do sistema de radar (desde as 2h25 até às 8h19). ou seja, o voo 370 não se despenhou no golfo da tailândia mas esteve a voar todo aquele tempo

consegue-se acreditar nisto? como é que um incêndio ou uma catástrofe geral no avião se coaduna com sete horas do mesmo no ar, sem se despenhar? impossível pelo que também esta teoria é descartada.

 

* a quarta teoria: hipoxia por falta de pressurização

depois de se perceber os "pings" ou "handshakes"durante sete horas consegue calcular-se a correspondência entre as horas e dados anteriores do ACARS quanto ao consumo de combustível: e o avião tinha mesmo combustível suficiente para continuar a voar em piloto automático durante todo aquele tempo. mas, assim sendo, o que é que se passou a bordo durante esse espaço temporal? para além da informação de que ele percorreu sete horas numa certa direcção, voando milhares de quilómetros, como saber se, durante esse tempo, havia ou não sobreviventes? e como é que isto acontece? o que é que leva a que isto ocorra? como é que se deixa o avião em piloto automático sete horas, até o combustível acabar e os motores se desligarem colocando o avião em descida espiral até se despenhar?

é nesta fase, e tentando dar respostas a estas questões, que se suspeita de algo que já acontecera noutro voo (o voo 522 da helios): ausência ou falha da pressurização da cabine (por qualquer motivo) e descida dos níveis de oxigénio até a hipoxia: dores de cabeça, confusão, dificuldade em compreender o que se passa, perda de memória, falta de ar, acabando por levar à inconsciência.

as pistas encaminham nesse sentido: o avião ia a 10.600 metros de altitude (altura superior ao monte everest). uma falha origina a despressurização e consequente falta de oxigénio, o que leva à inconsciência de todos (tripulação e passageiros) permanecendo o avião em piloto automático durante o tempo que tem combustível (as tais sete horas) até se despenhar na falta do mesmo. 

mas que falha, que motivo leva à hipoxia e à perda dos sinais?

 

* a quinta teoria: a mais triste

os investigadores concluem, para tristeza de toda a gente, que apesar da hipoxia ser uma teoria aceitável, a desorientação provocada por ela não é consistente com as curvas feitas pelo avião e que não estavam programadas no computador. na verdade, o voo fez três curvas durante a hora e meia seguinte à última transmissão de rádio. primeiro virou à esquerda e depois fez o mesmo mais duas vezes levando o avião para oeste numa primeira fase e depois para sul, rumo a antártida.

mas quem fez estas curvas? e porquê?

é verdade que se uma falha catastrófica existisse e os sistemas fossem abaixo os pilotos poderiam ficar confusos, fazendo deslocações do avião. mas quando consideramos todos os factos do voo sabemos que esta hipótese não é plausível:

i) o 777 foi criado para ter vários sistemas de apoio fazendo com que seja extremamente improvável que um número de sistemas falhe e ponha o voo em risco. ii) a ideia de falha geral não é consistente com o facto de o avião ter continuado a voar durante sete horas.

nesta altura, depois de todas as teorias de falha mecânica ou catástrofe geral caírem por terra, é avançada a hipótese mais chocante e triste até então: o voo 370 caiu devido a um acto humano deliberado.

é que reparem, os dois sistemas que falharam ao mesmo tempo - o transponder e o ACARS - têm como único propósito comunicar com o solo. além de que não se vislumbra qualquer falha eléctrica óbvia que faça falhar os dois a não ser... por acção humana.

conclui-se que alguém quis mesmo fazer desaparecer o avião. e esse alguém seria da tripulação. o que não é inédito. até 2014 seis acidentes, em todo o mundo, nos últimos quarenta anos, envolveram acção humana deliberada. ultimamente, todos nós assistimos com horror a mais um, ainda que não provado, que matou 150 pessoas nos alpes.

analisados os acidentes "propositados" constata-se que em muitos casos estes parecem ser impulsivos. mas em dois deles (possivelmente três, se tivermos em causa este último em 2015) embora os pilotos ou co-pilotos causadores dos mesmos estivessem a ter problemas psiquiátricos, planearam tudo cuidadosamente e quiseram deliberadamente ocultar as suas acções. no voo 185 da silk air, por exemplo, em 19 de setembro de 1997, o avião mergulhou a pique até se despenhar no mar tendo os investigadores descoberto que i) os gravadores de voz das caixas negras haviam sido desligado momentos antes; ii)o piloto do avião, tsu way ming, perdera recentemente mais de um milhão de dólares na bolsa tendo de pagar a divida.

 

assim, crê-se agora que o acidente do voo 370 foi intencional, causado por um dos pilotos. acredita-se que o comandante tenha dado uma desculpa para que o primeiro oficial saísse do cockpit (anto mais que tem autoridade sobre o mesmo). sozinho, seria simples desligar o transponder e alterar o trajecto rumo a uma área com pouca cobertura de radar. poucos minutos depois ele poderá ter tentado desligar o ACARS sem perceber que parte do sinal ficaria a transmitir. na verdade, não dá para desligar os "handshakes" com a inmarsat sem mexer realmente nos componentes electrónicos do avião, pelo que os mesmos continuaram a ocorrer. acresce que um piloto pode impedir (como bem descobrimos nos últimos dias) que a porta do cockpit seja aberta do exterior.

tendo em conta este cenário seria improvável que mais alguém a bordo desse sinal de alarme. o uso de um telemóvel por parte da tripulação, na cabine, para terra seria um fracasso. e para completar, a pressão do avião pode ser ajustada manualmente, pelo piloto, o que levaria à hipoxia, neutralizando assim todos os membros da tripulação. mesmo quem consegue colocar as máscaras tem apenas doze minutos de oxigénio.

durante hora e meia seguinte o avião dá várias voltas acabando por seguir em direcção à antártida. e tudo isto leva a que se acredite que quem o fez quis que o avião desaparecesse propositadamente. é difícil perguntar quem queria isto. o primeiro oficial era exuberante, com o casamento marcado, não havendo qualquer indicio que levasse a fazer o mesmo. mas também não se descobriu qualquer indicio que levasse o comandante a querer desaparecer com o avião e acabar com a vida.

 

ainda assim, colhidas todas as provas, a teoria que se chega é que alguém, com grandes distúrbios psiquiátricos tenha deliberadamente planeado tudo isto. e a conclusão, que assusta toda a gente mas que é real, é que as falhas humanas podem ser virtualmente impossíveis de prever. os seres humanos são criaturas imperfeitas. podemos aprender sobre as características das pessoas que fazem isto. mas não podemos prevê-lo de forma absoluta.

 

e a prova é que pouco mais de um ano depois, assistimos, com horror, à queda de um airbus nos alpes, concluindo-se através da audição das caixas negras, que foi causado pela acção deliberada do co-piloto, após o piloto se ter ausentado do cockpit.

 

é por isso meus senhores, que não obstante o avião continuar a ser um dos meios de transporte mais seguros de sempre, o melhor mesmo é reforçarmos a nossa fé antes de voar num, rezando muito para não termos a infelicidade de nos cruzarmos com alguém com ideias de se transformar em pó a pilotar a máquina!

 

bons voos e boa páscoa.

 

MJ

 

P.S. - adição da fonte, que me esqueci completamente e pelo qual peço desculpas: "mayday, desastres aéreos - NGC

Hoje quero aprender sobre... A Páscoa

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Foi no Concílio de Nicea (em 325 d.C.) que se fixou que a data da Páscoa se celebraria no primeiro domingo após a primeira Lua Cheia da Primavera, nunca podendo ser antes de 22 de Março nem depois de 25 de Abril. Caso passe o dia 25 de Abril, celebra-se no domingo anterior.

De notar ainda que a terça-feira de Carnaval é 47 dias antes da Páscoa. O Dia da Ascensão, numa quinta-feira, 39 dias depois. O Domingo de Pentecostes, 49 dias depois. O Corpo de Deus, numa quinta-feira, 60 dias depois.

A Páscoa é uma festividade celebrada pelos judeus e pelos cristãos, mas com significados diferentes. Os primeiros celebram a libertação do povo de Israel do Egipto, passando o Mar Vermelho e os segundos evocam a morte e a ressurreição de Jesus Cristo

Vamos então conhecer algumas das tradições da Páscoa por este mundo fora.

Portugal

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Na Páscoa as casas são limpas (algumas também são caiadas) para receber a visita pascal, o Compasso, que simboliza a entrada de Jesus Cristo no lar, com a bênção do padre que benze a casa e todos os que ali habitam. As pessoas da família, amigos e vizinhos reúnem-se e ajoelham-se na sala principal, onde o padre lhes dá a cruz a beijar. No fim, todos se sentam à mesa que costuma ter amêndoas, doces da Páscoa, licores e vinho do Porto para oferecer aos membros do Compasso.

Na Quaresma, no tempo antes da Páscoa, é altura de jejum: evita-se comer carne às sextas-feiras, por respeito a Jesus Cristo que foi crucificado numa sexta-feira. Mas o domingo de Páscoa já é dia de festa e ressurreição, voltando-se a comer carne como cabrito ou borrego, à imagem dos tempos antigos.

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Entre os cristãos, a semana anterior à Páscoa é a Semana Santa, com início no domingo de Ramos, que assinala a entrada de Jesus em Jerusalém. É então tradição fazer procissões neste dia e altura, com diferentes tipos de procissões pelo país fora.

Em Braga a imagem de Nossa Senhora é transportada por uma burrinha, na Procissão da Burrinha. Em São Brás de Alportel (Algarve) realiza-se uma procissão de flores (Procissão das Tochas Floridas no domingo de Páscoa). As tochas são compostas por flores do campo e são carregadas sobretudo por homens que cantam em despique: "Ressuscitou como disse, Aleluia, Aleluia, Aleluia"

Em muitas localidades celebra-se também a Semana Santa com procissões de velas à noite, ou com representações teatrais da condenação e martírio de Cristo.

No Alentejo, em Castelo de Vide, além das procissões benzem-se os borregos e fazem-se chocalhadas, com as pessoas a sair à rua com chocalhos, guizos e sinos.

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Também é tradição popular oferecer uma prenda aos afilhados. Os padrinhos e madrinhas costumam oferecer um folar aos afilhados (ou pão-de-ló, amêndoas ou dinheiro), que por sua vez devem entregar no domingo de Ramos um ramo de oliveira ao padrinho ou um ramo de violetas à madrinha. Esta tradição pode estender-se tambem a outros familiares e amigos de quem se gosta especialmente.

Aqui ou aqui pode encontrar mais tradições em determinadas zonas do país, como a Queima do Judas.

Por fim, aqui fica a lenda do Folar da Páscoa, o doce típico desta festividade.

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Reza a lenda que, numa aldeia portuguesa, vivia uma jovem chamada Mariana que tinha como único desejo na vida o de casar cedo. Tanto rezou a Santa Catarina que a sua vontade se realizou e logo lhe surgiram dois pretendentes: um fidalgo rico e um lavrador pobre, ambos jovens e belos. A jovem voltou a pedir ajuda a Santa Catarina para fazer a escolha certa. Enquanto estava concentrada na sua oração, bateu à porta Amaro, o lavrador pobre, a pedir-lhe uma resposta e marcando-lhe como data limite o Domingo de Ramos. Passado pouco tempo, naquele mesmo dia, apareceu o fidalgo a pedir-lhe também uma decisão. Mariana não sabia o que fazer. 

Chegado o Domingo de Ramos, uma vizinha foi muito aflita avisar Mariana que o fidalgo e o lavrador se tinham encontrado a caminho da sua casa e que, naquele momento, travavam uma luta de morte. Mariana correu até ao lugar onde os dois se defrontavam e foi então que, depois de pedir ajuda a Santa Catarina, Mariana soltou o nome de Amaro, o lavrador pobre.
Na véspera do Domingo de Páscoa, Mariana andava atormentada, porque lhe tinham dito que o fidalgo apareceria no dia do casamento para matar Amaro. Mariana rezou a Santa Catarina e a imagem da Santa, ao que parece, sorriu-lhe. No dia seguinte, Mariana foi pôr flores no altar da Santa e, quando chegou a casa, verificou que, em cima da mesa, estava um grande bolo com ovos inteiros, rodeado de flores, as mesmas que Mariana tinha posto no altar. Correu para casa de Amaro, mas encontrou-o no caminho e este contou-lhe que também tinha recebido um bolo semelhante. Pensando ter sido ideia do fidalgo, dirigiram-se a sua casa para lhe agradecer, mas este também tinha recebido o mesmo tipo de bolo. Mariana ficou convencida de que tudo tinha sido obra de Santa Catarina.
Inicialmente chamado de folore, o bolo veio, com o tempo, a ficar conhecido como folar e tornou-se numa tradição que celebra a amizade e a reconciliação. Durante as festividades cristãs da Páscoa, o afilhado costumam levar, no Domingo de Ramos, um ramo de violetas à madrinha de batismo e esta, no Domingo de Páscoa, oferece-lhe em retribuição um folar.

Polónia

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A grande maioria dos habitantes da Polónia são cristãos, daí a celebração da Páscoa ser muito importante: o comércio encerra, as famílias juntam-se e as ruas ficam vazias.

Chega a ser mais importante do que o Natal.

Inicia-se no período da quaresma, que é dedicada à limpeza do interior.

Quem reside no meio rural faz uma limpeza ao pátio, às pocilgas, à casa e ao jardim. Há também que redecore as casas, pintado as paredes com cores alegres.

Pintam ovos, para depois oferecem aos seus entes queridos, confeccionam pratos especiais, para serem abençoados no Sábado de Aleluia, e comerem no Domingo de Páscoa com toda a família.

Nos três dias que antecedem a Páscoa realizam rituais, e mantêm o jejum desde a quarta-feira de cinzas, até à sexta-feira da paixão.

O “menu” é composto por carne de porco assada ou frita, que é consumida fria, preparado no sábado pelas mães e avós. Como acompanhamento têm salada de beterraba temperada com vinagre.

Para sobremesa há o babca (avó, na linguagem antiga), que é um bolo enorme, decorado com frutas cristalizadas.

Têm também o tradicional mazuriki (bolo de Páscoa), que pode ser preparado com: pão de centeio, frutos secos, chocolate, geleia, amêndoas…

Curiosidade: fazem também o pão da Páscoa, em que o Homem está proibido de ajudar na sua confecção, pois caso contrário seu bigode ficará em cinza e a massa não crescerá.

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 Brasil

No Brasil, um país de grande tradição católica, a Sexta-feira Santa (morte de Cristo) e o Domingo de Páscoa (ressurreição de Cristo) são as datas mais festejadas, com grande conteúdo simbólico.

Para as crianças, o costume no Brasil é de as presentear com ovos de chocolate ou ovos pintados à mão, recheados com doces. Os ovos são deixados nos ninhos ou cestos, feitos pelas crianças para depois serem lá colocados os ovos, e a busca desse “tesouro” é uma verdadeira festa.

Além desta troca de ovos de Páscoa, as famílias reúnem-se no domingo para celebrar um almoço, com direito a pratos especiais, mensagens e músicas de Páscoa. A maioria das empresas está fechada neste dia.

No domingo antes da Páscoa comemoram a chegada de Cristo a Jerusalém, com o chamado Domingo de Ramos, onde as pessoas levam a flor Macela para a missa na igreja, para ser benzida pelo padre. A flor Macela, que floresce somente na Quaresma, é mais tarde utilizada como uma planta, a qual se acredita curar diversas doenças.

Uma das mais belas tradições da Semana Santa é a decoração das ruas para a procissão de domingo. Cada rua e cada casa são decoradas para celebrar o dia em que Jesus ressuscitou.

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Durante a missa especial da quinta-feira santa, é costume 12 pessoas de várias classes sociais verem os seus pés lavados por padres, uma reencarnação de quando Cristo lavou os pés dos 12 apóstolos.

Na Sexta-feira Santa, as mulheres com uma imagem de Nossa Senhora das Dores vão em procissão ao encontro de uma procissão de homens que carregam Nosso Senhor dos Passos, uma imagem de Cristo que leva a cruz.

No Brasil come-se uma iguaria especial de Páscoa chamada “Paçoca de amendoim” que é um doce brasileiro preparado com nozes mistas, de preferência o amendoim, açúcar e farinha de mandioca e que é dado aos visitantes.

Uma representação costume deste país é a recriação da passagem da Bíblia na qual Verónica enxugou o rosto de Cristo na Via Dolorosa.

 

Páscoa Judaica

Pêssach é uma palavra hebraica que significa “passar além”. Traduz aquilo que nós denominamos como “Páscoa”. Para os judeus, “Passar além”, está simbolicamente relacionado com o “passar além da escravidão à liberdade”.

A comemoração da páscoa para os judeus é dos acontecimentos mais importantes dentro da sua cultura, estando tal, relacionado com a história que lhe está subjacente.

É uma festa comemorada anualmente durante o mês de Nisã (nome pós-exílio do primeiro mês lunar judaico do calendário sagrado, correspondendo a parte de março e abril) onde famílias e amigos se reúnem em torno da mesa de Pêssach, seguindo-se um típico ritual de preparação integrando orações e uma culinária característica da ocasião.

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 Mesa de Pêssach com típico ritual de orações

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 Prato típico de Pêssach, “Chag Pêssach Sameach

 

Originalmente, a Páscoa era dividida em duas Festas: Uma era a Festa Agrícola chamada «Festa do Pão Sem Fermento» e a outra era uma Festa pastoral chamada «Festa do Cordeiro Pascal», sendo esta a Festa mais antiga das duas.

Tudo começou no tempo em que a maioria dos judeus ainda eram formados por pastores nómadas no deserto e cujas famílias judaicas comemoravam a chegada da primavera oferecendo o sacrifício de um animal. Neste ponto da Bíblia, Moisés pede a Faraó que deixe os filhos de Israel irem até o deserto para celebrarem uma Festa a Yahweh (designação hebraica do nome de um Deus. Aquele que libertou Israel do Egipto e leu os 10 mandamentos). Tal acontecimento coincide com o efetivo Êxodo dos judeus do Egito. A Festa do Pão sem fermento era uma Festa Agrícola primaveril que se comemorava separadamente, na qual os camponeses judeus de Israel celebravam o começo da colheita de grãos. Antes de cortar os grãos, eles separavam toda a massa azedada (a massa fermentada era usada, em vez de levedura, para levedar o pão).

Estas duas Festas, que eram celebradas antes do Êxodo, adquiriram, na saída dos Filhos de Israel do Egito, um significado religioso totalmente novo, exprimindo a salvação trazida ao povo de Israel por Yahweh associado ao término da escravatura judaica no Egipto.

 

Mais uma curiosidade para complementar…

 

… A primeira Páscoa (isto é, com um novo significado) foi celebrada na Lua Cheia, no final do dia 14 do mês de Abibe (Mês de Nisã) aproximadamente no ano de 1445 a.C. Dali em diante deveria ser celebrada anualmente. A Páscoa instituída por Yahweh no Egito foi acompanhada por leis que regiam a sua observância. Por exemplo: Cada família devia escolher um cordeiro ou cabrito sem defeito, sem mácula, não podendo ter mais de um ano de idade. Tinha que ser o melhor cordeiro ou cabrito e o animal escolhido não podia ter defeitos. O fato de ter, no máximo, um ano era requerido, tendo em vista a sua inocência. O cordeiro era levado para dentro de casa no dia 10 de Abibe, e mantido ali até o dia 14 do mesmo mês. Período, durante o qual era observado pela família que iria sacrificá-lo, caso não possuísse nenhum defeito.

 

Inglaterra

Em Inglaterra, a Páscoa é uma das mais importantes festividades cristãs do ano, e a ela estão associados vários costumes, que incluem jogos, folclore e comidas tradicionais. Além da Sexta-feira Santa (Good Friday), a segunda-feira após a Páscoa (Easter Monday) também é feriado. As escolas encerram durante duas semanas completas, uma antes e outra depois do domingo de Páscoa.

Em inglês Páscoa diz-se “Easter”, e segundo o Venerável Beda a palavra vem do nome anglo-saxão “Eostremonath”, que significa Abril. Os rituais relacionados com a deusa Eostre envolviam novos princípios, que são simbolizados agora pelo ovo da Páscoa, e a fertilidade, que é simbolizada pela lebre (o coelho da Páscoa).

Conta uma lenda que a deusa Eostre encontrou um pássaro ferido e transformou-o numa lebre, para que pudesse sobreviver durante o Inverno. A lebre descobriu entretanto que podia pôr ovos e a partir daí, em cada Primavera, passou a decorar esses ovos e a deixá-los como oferta à deusa.

A quinta-feira antes da Páscoa tem em Inglaterra no nome de “Maundy Thursday”. Foi o dia da última ceia de Cristo e a expressão “Maundy” vem da palavra francesa “mande”, que significa “comando” ou “mandato”, associada ao facto de Cristo ter ordenado aos seus discípulos, na referida ceia, “amem-se uns aos outros como eu vos amei”.

Neste dia, a Rainha de Inglaterra participa numa cerimónia que data do reinado de Eduardo I e envolve a distribuição de dinheiro a cidadãos idosos que sejam merecedores (um homem e uma mulher por cada ano da idade da soberana), habitualmente escolhidos por servirem as suas comunidades. O “Maundy Money” consiste em bolsas cerimoniais vermelhas e brancas que contêm moedas especialmente cunhadas para a ocasião. A bolsa branca contém um “penny” por cada ano de reinado da soberana e a vermelha, que antigamente continha presentes para os pobres, tem também dinheiro.

Na Sexta-Feira Santa são celebrados serviços religiosos especiais. O termo “Good Friday” (Sexta-Feira Boa) é algo estranho para um dia que é de luto e meditação, mas crê-se que será uma derivação de “God’s Friday” ou “Holy Friday”.

Originalmente comidos neste dia, os “hot cross buns” são pãezinhos adocicados que têm no seu interior uvas passas ou sultanas e por vezes fruta cristalizada. Antes de irem ao forno é feito no topo de cada pão um corte em forma de cruz, que é cheio de açúcar em pó depois da cozedura.

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Em York são representadas peças de teatro sobre a Paixão de Cristo (“Passion Plays”). Frequentemente, a língua usada é o inglês arcaico, tal como acontecia na época medieval, pelo que a maior partes das palavras são praticamente irreconhecíveis.

Sendo a Páscoa uma festa cristã, a oferta de ovos é a celebração de uma nova vida, ou seja, a ressurreição de Cristo. Quando se adoptou a tradição de oferecer ovos na Páscoa, esses ovos eram de pássaro, e pintavam-nos de cores brilhantes para que tivessem mais significado como oferta. Hoje em dia a tradição de pintar ovos mantém-se, mas os ovos passaram a ser de galinha. Às crianças oferecem-se actualmente ovos de chocolate, sendo os outros reservados essencialmente para decorações e jogos.

A primeira pessoa em Inglaterra a receber um ovo da Páscoa oficial foi o rei Henrique VIII, enviado pelo Papa.

Um dos jogos mais antigos e tradicionais, habitualmente praticado na “Easter Monday”, é o “Egg Rolling”. Originariamente, ovos verdadeiros eram lançados por uma colina abaixo, e vencia o dono do ovo que resistisse mais tempo antes de quebrar. Hoje em dia adoptaram-se outras variações. No norte de Inglaterra, por exemplo, os ovos são cozidos e fazem-nos deslizar por rampas, para ver qual deles chega mais longe.

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Noutros locais joga-se o “Egg Jarping”, que consiste em segurar um ovo na palma da mão, batendo-o contra o ovo do oponente. O perdedor é aquele cujo ovo quebra primeiro.

Para as crianças, são escondidos (supostamente pelo coelho da Páscoa) ovos de chocolate em vários pontos da casa ou do jardim, que elas depois se divertem a tentar encontrar.

Em tempos idos, a Páscoa era um dia tradicional para casamentos, e as mulheres confeccionavam e usavam chapéus especiais para a época, decorados com flores e laços. Actualmente é organizado no bairro de Battersea, em Londres, um desfile especial de Páscoa onde são exibidos chapéus especiais feitos à mão.

No pequeno-almoço do dia de Páscoa comem-se habitualmente ovos cozidos, e a seguir trocam-se postais ou prendas. Ao almoço o prato tradicional será cordeiro assado, servido com molho de menta e legumes. Para o lanche faz-se o “Simnel cake”, um bolo de frutas coberto com uma camada de massapão, que pode também fazer parte do recheio.

A Páscoa é ainda a altura em que tradicionalmente se exibem as folclóricas danças Morris. Apresentadas por grupos masculinos, inspiram-se nas antigas danças de Primavera executadas para afastar os maus espíritos do Inverno. Os dançarinos usam camisa branca e calções pelo meio da perna, brancos ou pretos, sapatos pretos e chapéus de palha. Faixas coloridas no tronco, passando por cima de um ou dos dois ombros, bem como coletes e outros acessórios coloridos, funcionam como elementos distintivos para cada grupo de dança.

 

Símbolos da Páscoa

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Os Símbolos da Páscoa são representações que fazem parte dos rituais da Semana Santa e referem-se às passagens para novos tempos e novas esperanças.

- Domingo de Ramos: a Semana Santa começa com o Domingo de Ramos, que lembra a entrada de Jesus em Jerusalém, ocasião em que as pessoas cobriam a estrada com folhas e ramos de árvores, para comemorarem a sua chegada.

- Cruz: mistifica todo o significado da Páscoa, a Ressurreição e também o sofrimento de Jesus Cristo. Nesta época, a Cruz relembra que Jesus venceu a morte e passou a viver no seu Reino de justiça e de paz. Antes era considerado o símbolo da condenação, atualmente passou a ser o símbolo da salvação.

- Círio Pascal: é uma grande vela que se acende nas igrejas e significa que “Cristo é a Luz dos povos”. Nesta vela, que se acende no sábado antes da Páscoa, tem inscritas as palavras “Alfa” e “Omega” que significam que “Deus é princípio e fim”. Este Círio Pascal simboliza o ressurgimento de Jesus Cristo das trevas para iluminar o nosso caminho.

- Sinos: anunciam, no domingo de Páscoa, com alegria a celebração da Ressurreição de Jesus Cristo.

- Pão e o Vinho: simbolizam o corpo e o sangue de Cristo. Jesus repartiu o pão e o vinho com os seus discípulos na Última Ceia.

- Cordeiro: Moisés sacrificou um cordeiro como forma de agradecimento a Deus pela libertação dos hebreus da escravidão no Egipto. Também simboliza Jesus Cristo, que foi crucificado para libertar os homens dos seus pecados.

- Coelho da Páscoa e Ovos da Páscoa: simbolizam a fertilidade e a esperança de uma vida nova.

 

 

 

Autoras do post

Portugal - Magda L Pais

Polónia - Bomboca de Morango

Simbolos da Páscoa e Brasil - Dona Pavlova

Páscoa Judaica - Mulher, Filha e Mãe 

Inglaterra - anacb

 

Fontes:

http://www.online24.pt/4-tradicoes-da-pascoa-em-portugal/

http://pt.wikipedia.org/

http://www.manualdomundo.com.br/2014/04/como-se-comemora-a-pscoa-em-outros-pases/

http://www.brasileiraspelomundo.com/polonia-wielkanoc-pascoa-46094006

http://www.infopedia.pt/$lenda-do-folar-da-pascoa

http://www.dhi.uem.br/gtreligiao/pdf/st1/Tomaz,%20Paulo%20Cesar.pdf

http://ibab.com.br/guiasdeestudo/a_pascoa_judaica_e_a_pascoa_de_jesus.pdf

http://www.monergismo.com/textos/santa_ceia/a-ultima-pascoa_macarthur.pdf

http://projectbritain.com/easter/easterday.htm

http://www.learnenglish.de/culture/easter.html

http://www.whyeaster.com/cultures/uk.shtml

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